Bebida alcoólica, mesmo em baixas doses, prejudica a saúde

Duas latas de cerveja ou duas doses de uísque por dia podem parecer pouco, mas estão acima do recomendável – 30 gramas de álcool por dia - e prejudicam a saúde. O quadro agrava quando as pessoas se alimentam mal e fumam. “Isso vale para bebidas ditas suaves, muito consumidas por adolescentes”, alerta o dr. Abrão José Cury Jr, presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, médico assistente da Universidade Federal de São Paulo e cardiologista do Hospital do Coração.

 

Com freqüência, o clínico geral recebe em seu consultório pessoas com problemas de saúde, como baixa imunidade, tosse, resfriados, febre, dores de cabeça, infecções de repetição, diarréias, gastrite e outros, que podem ser os primeiros sintomas de que a saúde está prejudicada pelo consumo de álcool. Para fazer o diagnóstico, o médico deve deixar o paciente à vontade, não deve censurar seu comportamento e deve levantar o maior número de informações sobre seus hábitos.

 

É importante detectar doenças correlacionadas, como estresse e depressão, que levam a pessoa a consumir ainda mais bebida alcoólica. O aspecto hereditário é importante. Descendentes de dependentes de álcool e drogas têm mais tendência a desenvolver a doença e devem ter orientação precocemente, como o filho de um diabético que passa a controlar o açúcar no sangue desde jovem.

 

A definição de alcoólatra não está relacionada à quantidade de bebida consumida e nem de suas conseqüências, como ficar bêbado, e sim com o hábito de beber. Se uma pessoa não consegue passar um dia sem consumir álcool, mesmo em pequena quantidade, é considerada dependente.

 

O alcoolismo aumenta o risco de desenvolver câncer, hepatite, cirrose, gastrite, úlcera, desnutrição, problemas cardíacos, de pressão arterial e danos cerebrais. Além de efeitos comportamentais, como perda da inibição, alteração do humor, comportamento violento e até suicida, redução da produtividade no trabalho e outros.

 

O tratamento do alcoolismo, que afeta 20% da população brasileira, evoluiu e conta com medicamentos que atuam no centro de prazer no cérebro e ajudam a controlar a compulsão. Os pacientes também precisam de orientação, feita pelo médico ou pelo psicológico. O importante é observar que, principalmente no começo, é possível reverter o quadro, melhorar a saúde do paciente e controlar a doença.

 

Bebidas/dose

Concentração de álcool

Gramas de álcool

1 lata de cerveja - 350 ml

5%

17 gramas de álcool

1 copo de chope - 200 ml

5%

10 gramas de álcool

1 copo de vinho - 90 ml

12%

10 gramas de álcool

1 dose destilado (uísque, pinga, vodca) - 50 ml

50%

25 gramas de álcool

Setembro/2003