Depressão e Ansiedade: doenças que geram doenças

O ator Michael Douglas, no filme “Um Dia de Fúria”, interpreta um homem desempregado, que preso no engarrafamento, em um dia quente, abandona o carro no meio da rua e segue para a casa da ex-esposa a pé, para o aniversário da filha, sem reconhecer que o casamento havia acabado. No trajeto, é envolvido pela violência das ruas, não consegue usar um telefone, nem tem ajuda das pessoas, perde o controle e começa a eliminar quem cruza seu destino.

 

Apesar das telas do cinema ampliarem os problemas, estima-se que cerca de 20% das mulheres e 15% dos homens, em algum momento da vida, enfrentam crises de depressão, ou ansiedade. É natural ficar triste após perder um parente, ou ansioso às vésperas do vestibular. Porém, estas reações tornam-se doenças quando duram muito tempo e comprometem as atividades diárias da pessoa.

 

Um depressivo pode deixar de atender ao telefone, negligenciar sua higiene e se afastar dos amigos. O ansioso tem sintomas físicos, medo de sair de casa e pode  chegar ao Transtorno do Pânico, expressão máxima da ansiedade.

 

A Depressão e a Ansiedade são apontadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde como duas das principais causas de doenças cardiovasculares, hipertensão, infarto, câncer e doenças imunológicas.

 

A maioria destes doentes, 80%, chega ao consultório do clínico geral com queixas físicas, como dor de estômago, problemas de pele e infecções de repetição. É fundamental que o médico esteja capacitado a diagnosticar o problema e a indicar o tratamento adequado. O mais importante é conversar com o paciente sobre aspectos gerais de sua vida, como atividade sexual, profissional, relacionamento amoroso e situação financeira, fatores desencadeadores destas doenças.

 

O paciente, em geral, vê o mundo cinza, não reconhece sua doença e nem a relaciona com seus problemas. Até a família, em geral, não percebe a mudança de comportamento e, muitas vezes, atribui a fatores externos, ou a “frescura”.

 

Em 80% dos casos, o paciente chega à cura através de medicamentos antidepressivos e psicoterapia. Quando o paciente começa a se restabelecer é possível indicar medidas coadjuvantes, como atividade física e férias. Porém, na fase aguda, o paciente não tem condições de se beneficiar destas medidas.

 

Por: Dr. Abrão José Cury Jr, presidente da Regional da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, médico assistente da Universidade Federal de São Paulo e cardiologista do Hospital do Coração.