Estudo aponta benefícios do azeite para a visão

Estudo comprova que o consumo de gorduras saudáveis, além de todos os benefícios cardiovasculares, está também relacionado à saúde dos olhos. Alimentos ricos em ômega 3, como peixes, azeites e castanhas, reduzem o risco da degeneração macular, tipo de lesão na retina que pode levar a uma perda irreversível da visão. Constatou-se ainda que nos indivíduos que já apresentavam a degeneração macular a ingestão desse tipo de gordura impediu o seu avanço.

Esta degeneração afeta principalmente pessoas na terceira idade, por isso o estudo acompanhou pacientes acima de 60 anos por cerca de dez anos. Das 2,5 mil pessoas avaliadas, as que comiam uma porção de peixe por semana tinham 31% menos chances de desenvolver o problema e o consumo de uma a duas porções semanais de nozes reduz o risco em 35%. Um dos alimentos mais eficazes é o azeite: 100 ml por semana reduzem em 52% os riscos. Por outro lado, o estudo indicou também que o consumo das gorduras saturadas pode estimular o problema.

Fonte: Archives of Ophthalmology

 

*     Mel diminui o tempo de recuperação de pacientes com queimaduras

Cochrane Library - Pesquisadores, que conduziram uma revisão sistemática sobre o assunto, concluíram que o mel pode ser usado como uma alternativa para o tratamento de queimaduras moderadas e leves. "Estamos encarando esse resultados com cautela, mas parece que o mel pode acelerar o processo de cura em algumas queimaduras", diz o líder do estudo Andrew Jull, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

O mel tem sido usado em ferimentos desde a Antiguidade, mas seu mecanismo de ação permanece desconhecido. Uma das hipóteses é que ele remove o tecido morto, criando um ambiente favorável ao crescimento de tecido novo e saudável. Estuda-se também que a substância tenha efeitos antibatericidas. A revisão conduzida por Jull analisou dados de 19 ensaios clínicos que envolveram ao todo 2.554 pacientes com diferentes tipos de ferimento. O mel foi mais eficiente em reduzir o tempo de cura em queimaduras moderadas do que o procedimento comum nesses casos - o uso de gazes. Para eventos mais graves, como lacerações, ferimentos resultantes de cirurgias e ulcerações, o mel não mostrou benefícios em relação a outro tratamento. Os pesquisadores não aconselham o uso da substância para tratar outros tipos de ferimentos. "O serviço de saúde deve investir nos tratamentos que comprovadamente funcionam", explica Jull.

 

Consenso para diagnóstico e tratamento do TEP

Em setembro de 2008, a Sociedade Européia de Cardiologia publicou consenso para o diagnóstico e tratamento do tromboembolismo pulmonar agudo. O tromboembolismo pulmonar (TEP) é relativamente comum, potencialmente fatal e, muitas vezes, não diagnosticado devido à sua apresentação inespecífica. Nos casos agudos, a taxa de mortalidade varia entre 7 a 11%.  Os sinais e sintomas mais frequentes são taquicardia, dispnéia e dor torácica pleurítica. Em 80% dos casos, é possível identificar ao menos um fator de risco presente: idade, história prévia de tromboembolismo venoso (TEV), grande cirurgia recente, neoplasia, imobilização ou restrição ao leito, trombofilia e reposição hormonal. Mais recentemente, foi relatada associação entre TEP idiopático (presente em 20% dos casos, nos quais não se identifica nenhum fator de risco clássico) e eventos tromboembólicos arteriais, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico. Além disso, foi evidenciado aumento do risco de TEP em tabagistas, obesos, hipertensos e portadores de síndrome metabólica, condições que constituem fatores de risco cardiovascular tipicamente presentes nos pacientes com infarto do miocárdio ou acidente vascular encefálico isquêmico.

No consenso, é recomendada a estratificação dos doentes segundo a apresentação clínica e a presença ou não de marcadores de disfunção miocárdica (dosagem de peptídeo natriurético cerebral, ecocardiograma) e de lesão miocárdica (troponina). Esta classificação implica em diferentes prognósticos e estratégias de investigação e de tratamento específico.

A dosagem de Dímero-D (prioritariamente pelo método ELISA) está indicada apenas nos pacientes sem alto risco e com probabilidade clínica para TEP intermediária ou baixa pelas pontuações nas escalas de Wells ou Geneva. Nestes casos, Dímero-D negativo exclui a possibilidade de TEP. A tomografiafia computadorizada (TC) continua a ter papel essencial na investigação diagnóstica, principalmente com multidetectores. Entretanto, em casos de suspeita de TEP em pacientes graves e instáveis (choque e/ou hipotensão), e sem possibilidade de realização imediata da TC, pode-se indicar ecocardiograma à beira do leito. Se houver evidências de sobrecarga do ventrículo direito, esta constitui indicação para tratamento trombolítico. Outros métodos também auxiliam no diagnóstico do TEP, como cintilografia pulmonar de ventilação perfusão, combinada ou não com outros exames, e US Doppler de membros inferiores que, ao identificar trombose venosa profunda proximal, associada a quadro clínico característico, pode confirmar o diagnóstico sem necessidade de exames adicionais.

Os suportes hemodinâmico e ventilatório são essenciais. Não está indicada reposição volêmica agressiva nestes pacientes, pois pode ocorrer estiramento miocárdico excessivo e piora da função do ventrículo direito. Agentes inotrópicos, como a dobutamina, podem ser utilizados em pacientes normotensos e com índice cardíaco baixo; entretanto, aumentar o débito cardíaco para valores supranormais pode ser prejudicial. Nos doentes hipotensos, a noradrenalina é uma boa opção.  Terapias vasodilatadoras pulmonares (antagonistas da endotelina, inibidores da 5-fosfodiesterase, óxido nítrico) estão em estudo; embora apresentem bons resultados experimentalmente, ainda faltam evidências científicas para indicar seu uso rotineiramente.

Segundo o consenso, o uso de trombolíticos fica reservado apenas aos pacientes com instabilidade hemodinâmica. Nos casos em que há sinais de disfunção do ventrículo direito, mas sem choque ou hipotensão, a realização de trombólise é controversa. Estão aprovadas para uso no TEP a estreptoquinase, uroquinase e alteplase (rtPA). A anticoagulação deve ser iniciada para todos os pacientes na fase aguda e persistir por pelo menos três meses; nos casos em que não se consegue eliminar o fator causal, a anticoagulação deve ser mantida por tempo indeterminado. Inicialmente, deve ser feita com heparina não fracionada, de baixo peso molecular, ou fondaparinux, que devem ser utilizados por pelo menos cinco dias. O fondaparinux tem a vantagem de não causar plaquetopenia, não necessitar monitorização dos níveis de anticoagulação e ser aplicado uma única vez ao dia. Nos pacientes com choque ou hipotensão, é preferível o uso de heparina não fracionada, visto que não há grandes estudos com heparina de baixo peso molecular ou fondaparinux nestes grupos de pacientes. Após a fase aguda, a anticoagulação pode ser mantida com warfarina por via oral.

Fonte: European Heart Journal (2008) 29, 2276-2315. – Revisão de Bertha Furlan Polegato, Marina Politi Okoshi, Disciplina de Clínica Médica Geral, Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP

 

Vacina para câncer da mama ajuda o organismo a combater tumores

Investigadores da Universidade de Wayne, em Detroit, EUA, revelaram que desenvolveram uma vacina para câncer de mama que eliminou os tumores HER2 positivo em ratos, sem qualquer toxicidade. O estudo sugere que a vacina poderá tratar mulheres com câncer de mama HER2 positivo resistente ao tratamento ou ajudar a prevenir a recorrência. Os investigadores também revelaram que potencialmente poderá vir a ser utilizada em mulheres sem câncer para prevenir o desenvolvimento inicial destes tumores. Os receptores da proteína HER2 promovem o crescimento normal das células e encontram se em pequenas quantidades nas células mamárias normais. Contudo, as células mamárias HER2 positivas podem conter mais receptores do que é típico, promovendo um tipo de tumor particularmente agressivo que afeta 20 a 30% das pacientes com câncer de mama.
Terapias, como o Herceptin (trastuzumab) e o Tyverb (lapatinib), delineadas para se ligarem a estes receptores e destruí-los, são a base do tratamento para este tipo de câncer, mas uma proporção significativa de pacientes desenvolve resistência aos fármacos ou o câncer tem metástase, sendo difícil de tratar. Segundo o investigador, Wei-Zen Wei, a resposta imune contra os receptores HER2 positivos, observada no estudo, é poderosa e atua mesmo em tumores que são resistentes às terapias atuais. A vacina potencialmente poderá eliminar até a necessidade de utilizar estas terapias. A nova vacina coloca um gene que combate o câncer nas células, que então produzem proteínas do sistema imunológico, assim como células destruidoras de tumores.
Fonte: Cancer Research

 

Tratamento precoce para diabetes é vital para boa saúde a longo prazo

Diabéticos que recebem tratamento intensivo com fármacos, logo após o diagnóstico, são mais saudáveis quando envelhecem, mesmo se forem menos rigorosos com o controle do açúcar no sangue. Isto significa que pode ser importante a prescrição de fármacos para a diabetes inicialmente, mesmo para pacientes recentemente diagnosticados com diabetes tipo 2, em vez de tentar que estes sigam primeiro dieta e exercício físico. De acordo com o investigador principal, Rury Holman, da Universidade de Oxford, sabe se que um bom controle da glicose, desde que a diabetes tipo 2 é diagnosticada, reduz a taxa de complicações diabéticas e leva a benefícios sustentados a longo prazo. Os novos resultados do estudo de grande escala, em progresso desde 1998, demonstraram que os efeitos protetores de um melhor controle da glicose inicialmente permaneceram após 10 anos para o olho diabético e doença renal. Os investigadores também descobriram que baixar a pressão sanguínea é importante para minimizar as complicações da diabetes, mas ao contrário do açúcar no sangue, os benefícios não aumentam com o tempo. Na diabetes tipo 2, o organismo perde gradualmente a capacidade de utilizar convenientemente a insulina para converter os alimentos em energia.

Fonte: New England Journal of Medicine

 

Cirrose

A cirrose é definida como o desenvolvimento histológico de nódulos regenerativos rodeados por traves de tecido fibroso em resposta a injúria hepática crônica, resultando em hipertenso portal e estágio final de doença hepática. Neste artigo de revisão, os autores descrevem, principalmente, as complicações decorrentes da cirrose e os avanços no entendimento da fisiopatologia e do tratamento de suas complicações, o que tem resultado em melhora da qualidade e da expectativa de vida em geral. Além disso, apresentam possibilidades de tratamento farmacológico em estudo para deter a progresso da cirrose ou mesmo reverter alterações histológicas já estabelecidas. As complicações da cirrose incluem sangramento de varizes esofágicas, ascite, peritonite bacteriana espontânea e encefalopatia. Outras infecções bacterianas também são comuns, especialmente em doentes com cirrose descompensada e podem causar exacerbação da disfunção hepática, encefalopatia e hipertensão portal. A síndrome hepatopulmonar ocorre em 15 a 20% dos pacientes com cirrose e é causada por aumento da produção de óxido nítrico e da expressão do receptor da endotelina B, com conseqüente vasodilatação arteriolar pulmonar, shunting e hipoxemia. Esta desordem é habitualmente reversível após transplante hepático. A hipertensão portopulmonar é encontrada em 16 a 20% dos pacientes com ascite refratária e é causada, provavelmente, por excesso de vasoconstritores pulmonares e de fatores pró-fibrinogênicos, como fator transformador de crescimento (TGF)-beta1. Ao contrário da síndrome hepatopulmonar, esta condição é irreversível e constitui contra-indicação ao transplante hepático. A cardiomiopatia cirrótica é caracterizada por hipertrofia miocárdica e redução da resposta contrátil do coração ao estresse. Formas severas aumentam a mortalidade peri-operatória e, portanto, constituem contra-indicação ao transplante hepático. O hepatocarcinoma é um dos tumores sólidos mais comumente encontrados e a cirrose é o maior fator de risco para seu desenvolvimento e progresso. Portanto, o rastreamento para carcinoma hepatocelular é importante no seguimento de pacientes com cirrose; atualmente, recomenda-se, pelo menos uma vez por ano, a realização de exames de imagem como ultra-sonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. A dosagem sérica de alfa-feto proteína é mais utilizada devido sua baixa sensibilidade e especificidade para detecção de hepatocarcinoma. Embora o transplante hepático ainda permaneça como a única opção para grupos específicos de pacientes, atualmente há grande esperança no desenvolvimento de tratamentos farmacológicos que possam impedir a progressão da cirrose descompensada ou mesmo reverter a cirrose estabelecida. De fato, pesquisas recentes mostram que o tratamento do agente etiológico, responsável pelo desenvolvimento da cirrose, pode resultar não somente em estabilização do quadro clínico, mas também em reversão do grau de cirrose. Na hepatite por vírus C, a erradicação viral tem sido obtida em até 40% dos pacientes com vírus genotipo 1 e em 70% dos pacientes com vírus genotipos 2 e 3. Em metanálise publicada em 2002, 75 de 153 pacientes com cirrose diagnosticada por biopsia apresentaram reversão da cirrose em biopsias realizadas após tratamento antiviral. Finalmente, está sendo avaliado o potencial de drogas antifibróticas intrínsecas para atuar, especificamente, no mecanismo de fibrogênese, responsável pelo desenvolvimento de fibrose, independentemente da etiologia da doença hepática.

Fonte: SEQ CHAPTER \h \r 1LIVER CIRRHOSIS - The Lancet 2008; 371: 838-849 - Detlef  Schuppan e Nezam H Afdhal - Resumo de Prof. Dr. Roberto Minoru Tani Inoue, Profa. Dra. Marina Politi Okoshi, Disciplina de Clínica Médica Geral, Depto de Clínica Médica da Fac de Medicina de Botucatu, UNESP

 

Sons relaxantes ajudam a reduzir pressão sanguínea

Estudo, da Universidade de Seattle e no centro cardiovascular da mesma cidade, Estados Unidos, afirma que ouvir sons relaxantes pode ajudar a reduzir a pressão sanguínea em idosos hipertensos. Durante quatro meses, três vezes por semana, um grupo de 41 idosos com hipertensão foi exposto a diferentes sons durante uma sessão de 12 minutos.

Os participantes estavam divididos em dois grupos. O primeiro, formado por 20 pessoas, ouviu uma voz suave que lhes pedia para relaxar o corpo e respirar profundamente enquanto o som das ondas do mar soava ao fundo. O segundo grupo, com 21 idosos, escutou durante esse tempo, uma sonata de Mozart. Os pesquisadores mediram as pressões sistólica e diastólica antes e depois de cada sessão. Depois de quatro meses, nos dois grupos, a pressão sistólica diminuiu 6,4% (de 141 a 132) no grupo que seguiu o programa de relaxamento e quase 5% (de 141 a 134) no que ouviu Mozart. A pressão diastólica, por outro lado, não diminuiu significativamente em nenhum dos dois.A autora principal da pesquisa, professora assistente da Universidade de Seattle, Jean Tang, explicou que outros estudos sugerem que uma redução de 5 mmHg na pressão sistólica pode diminuir em 9% as mortes causadas por doença coronária e em 14% as relacionadas com AVC.
A pequena diferença entre os grupos pode ser a atenção dos participantes durante as sessões de audição. Entre os que escutaram música clássica, alguns possivelmente não relaxaram seus corpos. Os tratamentos deste tipo, baseados na audição como os empregados no estudo - conhecidos como binaurais, são utilizados com sucesso há anos para tratar dores crônicas ou no treinamento de atletas. Tang argumentou que o efeito benéfico deste tipo de tratamento estaria no fato de que eles “regulam as ondas cerebrais para o nível alfa, com um efeito calmante sobre os ouvintes que se concentram”. Segundo ela, o método de relaxamento atua sobre o sistema nervoso parassimpático, que reduz a pressão sanguínea ao relaxar os vasos.

Fonte: 62ª Conferência para Pesquisa da Hipertensão

 

Exercícios anulam efeitos do hormônio da obesidade

De acordo com descobertas de estudo da Universidade de Maryland, Estados Unidos, a prática de exercícios é capaz de anular os efeitos de uma mutação genética associada à obesidade.
Anteriormente, um estudo apontou forte relação entre a alta massa corporal e variantes de um gene em particular, conhecido como FTO. Indivíduos que carregam duas cópias do FTO apresentaram mais chances de se tornarem obesos. O estudo atual demonstrou que um estilo de vida ativo parece reduzir este risco. A pesquisa  contou com 704 integrantes da comunidade amish dos Estados Unidos. O grupo foi escolhido por ser considerado geneticamente puro, o que permite o rastreamento de seus antepassados por até 14 gerações, incluindo os primeiros colonizadores europeus.
As mutações relacionadas à obesidade estão presentes em 30% das populações européias. Apesar da dieta e o estilo de vida também influenciarem no peso, ainda não foi descoberto como estes fatores interagem com os genes. Várias transformações genéticas já foram ligadas à obesidade, mas nenhuma é, por si só, responsável pela doença. O gene FTO, no entanto, é a variação mais comum. Estima-se que metade da população européia carregue pelo menos uma cópia do gene. A atuação dele também não foi desvendada ainda, mas alguns cientistas apostam que o FTO tem influência no apetite.
No estudo, os movimentos dos participantes foram medidos através de um acelerômetro durante uma semana. Os cientistas concluíram que, apesar da esperada ligação entre a mutação do FTO e o alto índice de massa corporal ter sido encontrada entre os voluntários menos ativos, a mutação não surtiu efeito entre as pessoas que praticavam atividades físicas.
As observações foram feitas em pessoas que praticavam de três a quatro horas diárias de exercícios moderadamente intensos. Tais resultados sugerem que o aumento do risco de obesidade por conta de fatores genéticos pode ser anulado com as atividades físicas.

Fonte: Archives of Internal Medicine

 

Analgésicos podem mascarar análise da próstata

Estudo refere que os consumidores freqüentes de antiinflamatórios não esteróides apresentam níveis de antigénio específico da próstata (PSA) 10% mais baixos que os que não tomam. A PSA é uma proteína produzida pelas células da próstata e os seus níveis elevados no fluxo sanguíneo podem indicar a presença de câncer da próstata. O estudo, que envolveu 1.319 homens norte-americanos com mais de 40 anos, adverte para o fato da redução dos níveis de PSA, provocada pelas medicações, mascarar o risco de um homem contrair câncer na próstata sem que haja alteração do risco.

"Se houver um paciente que esteja próximo do limite normal mais alto, em termos de PSA, ou tenha atingido valores acima do limite e agora esteja abaixo por causa dos analgésicos, isso pode modificar o fato dele ser ou não encaminhado para uma biopsia", afirma o investigador Eric Singer. Embora os resultados sejam consistentes com outras pesquisas que indicam que determinados analgésicos podem reduzir o risco de um homem contrair câncer de próstata, as novas descobertas são preliminares e não comprovam a existência de uma ligação direta.

Fonte: University of Rochester Medical Center

 

Choque séptico

O choque séptico constitui uma causa comum de morte e apresenta taxa de mortalidade variável entre 40 a 60%. As estratégias para a recuperação hemodinâmica de pacientes em choque séptico incluem a administração de fluídos intravenosos e de catecolaminas como noradrenalina, dopamina e dobutamina. Embora sejam bastante efetivas em restabelecer a pressão arterial em níveis aceitáveis para manter a perfusão de órgãos, as catecolaminas têm importantes efeitos adversos e podem aumentar a mortalidade. Por exemplo, a noradrenalina, um potente agente alfa-adrenérgico, comumente utilizado no choque séptico, pode diminuir o débito cardíaco, o transporte de oxigênio e o fluxo sanguíneo para órgãos vulneráveis, mesmo mantendo pressão de perfusão adequada.

Atualmente, a vasopressina, um hormônio peptídeo liberado endogenamente, tem sido recomendada como alternativa ao uso de doses elevadas de catecolaminas no choque séptico grave. Devido à deficiência relativa de vasopressina em doentes com choque séptico, foi levantada a hipótese que a administração exógena desse hormônio poderia restaurar o tono vascular e a pressão sanguínea e, portanto, reduzir a necessidade para o uso de catecolaminas. Apesar do vasto uso de vasopressina na prática clínica em vários países, seus efeitos no choque séptico somente haviam sido avaliados em dois estudos pequenos que mostraram que o fármaco aumentou a pressão sanguínea, diminuiu a necessidade de catecolaminas e melhorou a função renal quando comparado ao agente vasoconstritor controle. Em trabalho bem conduzido, recentemente publicado no The New England Journal of Medicine, Russell et al. avaliaram os efeitos da vasopressina na mortalidade de pacientes com choque séptico. Neste estudo multicêntrico, randomizado e duplo-cego, os doentes receberam cuidados habituais, incluindo catecolaminas, com (n=396) ou sem (n=382) a administração de vasopressina em baixas doses. A infusão de drogas vasopressoras foi titulada de acordo com protocolo para obter e manter a pressão arterial em níveis previamente definidos. Pacientes com cardiopatias graves foram excluídos do estudo. A infusão de vasopressina aumentou seus níveis séricos de valores muito baixos (3,2 pmol/L) para 70 a 100 pmol/L e permitiu reduzir rapidamente a dose de catecolaminas enquanto a pressão arterial mantinha-se constante.

A conclusão do estudo foi que a vasopressina, embora tivesse permitido a utilização de doses menores de catecolaminas e sem efeitos adversos sérios, não alterou a mortalidade, avaliada em 28 e 90 dias. Como no estudo foram excluídos pacientes com cardiopatias graves, não se sabe como seriam os efeitos adversos da vasopressina nesse grupo de pacientes. Em suma, apesar de vários trabalhos mostrarem efeitos benéficos da vasopressina na elevação e manutenção da pressão arterial em situações de hipotensão e choque, a administração do hormônio para pacientes em choque séptico não resulta em redução da mortalidade.

Fonte: SEQ CHAPTER \h \r 1 Vasopressin versus Norepinephrine Infusion in Patients with Septic Shock, The New England Journal of Medicine 2008; 358 (9): 877, Russell JA, Walley KR, Singer J, Gordon AC, Hébert PC, Cooper DJ, Holmes CL, Mehta S, Granton JT, Storms MM, Cook DJ, Presneill JJ, Ayers D for the VASST Investigators, por Dra. Marina Politi Okoshi, Disciplina de Clínica Médica Geral, Dpto de Clínica Médica, Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP

 

Cefaléia associada a indicadores de transtornos de ansiedade em uma população adulta da região sul do Brasil: estudo de base populacional

Os autores Pizzatto e cols, das Universidades do Oeste e Sul de Santa Catarina, observaram em estudo de base populacional, transversal, amostra representativa da população adulta e um município de Santa Catarina, haver associação de cefaléia e altos níveis de ansiedade, independente de outras variáveis estudadas, associação também verificada no gênero feminino. O estudo se baseou na observação da literatura, na qual se encontram evidências que mostram que os circuitos neurais responsáveis por fenômenos cognitivo-afetivos são altamente interconectados com aqueles responsáveis pela cefaléia. Assim, objetivaram estimar a prevalência e a periodicidade de queixas de cefaléia e a associação com os níveis de ansiedade na região estudada.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (1 ), jan/fev 2008, por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico da SBCM/SP

 

O valor da dosagem do antígeno cacinoembrionário no diagnóstico diferencial entre derrame pleural neoplásico e tuberculoso

Os autores Andrade e cols, da Universidade do Estado do Amazonas, analisaram o valor do antígeno carcinoembrionário (CEA) para diferenciar derrames pleurais, em casos suspeitos de neoplasias ou tuberculose, avaliando 106 casos de derrame pleural. Como padrão ouro para o diagnóstico final da doença de base foi usado método histológico, citológico e microbiológico. O CEA se mostrou muito mais elevado nos casos com neoplasia, sendo o ponto de corte encontrado de 11,5 ng/ml. Assim se demonstrou que este método diagnóstico deve ser considerado no diagnóstico diferencial entre as duas etiologias de derrames pleurais, constituindo-se em um meio menos invasivo no auxílio diagnóstico.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (2 ), mar/abr 2008, pelo Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico SBCM/SP

 

Avaliação do comprometimento ósseo no Lúpus Eritematoso Sistêmico

Os autores Martinez e cols, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Sorocaba, verificaram em análise de prontuários de pacientes lúpicos, que houve impacto significativo da doença na densidade óssea dos pacientes. A correlação que mais se aproximou de significância estatística foi o uso crônico de corticosteróide. Portanto, se faz necessária a monitorização da densidade óssea e a intervenção precoce, quando esta se fizer necessária, nos pacientes com esta doença.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (2 ), mar/abr 2008, por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico SBCM/SP

 

Propedêutica cardiológica para avaliação da cardiopatia chagásica na atenção primária

Os autores Guariento e cols, do Grupo de Estudos em Doença de Chagas/ GEDoCh/ DCM/ FCM/UNICAMP, objetivaram comparar os recursos existentes na rede básica de atenção à saúde para exame do coração com outros mais específicos, na avaliação de cardiopatas chagásicos crônicos. O estudo se fez através de prontuários clínicos de doentes atendidos no GEDoCh, comparando-se o exame clínico, eletrocardiograma convencional de 12 derivações e radiografia do tórax, considerados acessíveis na rede básica. Os exames complementares mais sofisticados, usados para comparação, foram: teste de esforço, ou ecocardiograma, ou eletrocardiografia dinâmica. Os autores concluíram que a avaliação possível de ser realizada na atenção básica à saúde foi suficiente para classificar a cardiopatia chagásica crônica em formas de pequeno ou grave grau de intensidade, sendo relevante na consideração do nível em que devem ser assistidos os portadores crônicos dessa afecção.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (2 ), mar/abr 2008, por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico SBCM/SP

 

Estudo do perfil clínico e evolutivo de indivíduos com a doença de Chagas crônica e neoplasias malignas

Os autores Almeida e cols analisaram casos de doença de Chagas, forma crônica, em indivíduos que adquiriram neoplasias malignas para avaliar a influência que uma doença poderia ter na evolução natural da outra, através de parâmetros clínicos e de exames subsidiários, como o ECG, radiografia do tórax e xenodiagnóstico. Embora tenham concluído não ocorrer mudanças na história natural de ambas as doenças, salientam a importância que o tratamento imunossupressor com quimioterapia possa ter, uma vez que vários casos de reagudização da doença de Chagas têm ocorrido nestes casos, com mau prognóstico.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, jan/fev 2008, por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico da SBCM/SP

 

Avaliação cardiovascular de pacientes hipertensos e diabéticos do tipo 2 sem antecedentes de vasculopatia

Os autores Vale e cols, Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), verificaram que em indivíduos diabéticos e hipertensos ocorreram doença carotídea incipiente, hipertrofia ventricular esquerda, doença arterial periférica, nefropatia e retinopatia diabética, sem ocorrer antecedentes de vasculopatia. A metodologia envolveu a ecocardiografia bidimensional com dopplerfluxometria, dupplex-scan de artérias carótidas e vertebrais, fundoscopia direta e indireta e o cálculo do índice tornozelo-braquial. A alta prevalência de ambas as doenças na população geral, assim como a alta freqüência de associação de ambas justificaram a preocupação dos autores com o tema, sendo que fatores metabólicos e controle pressórico inadequado lhes pareceram ter sido os principais determinantes dos achados do estudo.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (1 ), jan/fev 2008, por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico da SBCM/SP

 

Abordagem psicossocial na doença de Chagas

Os autores Gouvêa Ritz e cols, da Universidade Estadual de Campinas-SP (UNICAMP), avaliaram aspectos psicossociais de indivíduos portadores da doença de Chagas crônica, salientando ser esta doença importante problema de saúde pública no Brasil e América Latina, e mais discutida em relação aos graves prejuízos que pode acarretar para o aparelho cardiovascular e digestivo. O trabalho foi realizado em doentes que são atendidos no Grupo de Estudos em doença de Chagas (GEDoCh) da UNICAMP, o qual é referência nacional para abordagem desta doença. Os métodos utilizados foram questionários de dados sociodemográficos, a escala de traços de comportamento e agressividade de Gayral. Constatou-se que um número significativo dos doentes apresentou evidências de ansiedade, depressão, somatização e combatividade. Concluíram que os aspectos psicossociais devem ser valorizados nos portadores da doença de Chagas, ao lado dos aspectos orgânicos, habitualmente, encontrados nesta entidade mórbida.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (3) - Mai/Jun 2008,  por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico da SBCM/SP

 

Avaliação de estudantes de Medicina

Avaliação da prevalência de sobrepeso, do perfil nutricional e do nível de atividade física nos estudantes de medicina da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas – UNCISAL. Págs. 90-93. Foi verificado por Lessa e cols, da UNCISAL a prevalência de sobrepeso, o perfil nutricional e o nível de atividade física nos estudantes do primeiro ao sexto ano do curso de graduação em medicina. Foram avaliados 104 alunos, utilizando-se os parâmetros da OMS para o índice de massa corporal e duas ou mais vezes por semana de atividade física. Os autores concluíram que a prevalência de sobrepeso aumentou à medida que os acadêmicos de medicina foram se aproximando do final do curso, sendo também relacionado ao sedentarismo crescente e à alimentação inadequada.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Volume 6 (3) - Mai/Jun 2008, por Dr. Eros Antonio de Almeida, Diretor Científico da SBCM/SP