Hipertensos tendem a abandonar o tratamento

 O tratamento ideal para a hipertensão arterial, doença que atinge cerca de vinte milhões de brasileiros, é o atendimento multiprofissional, envolvendo médico, psicólogo, nutricionista e enfermeiro.

 

O maior problema do tratamento da hipertensão é que 50% das pessoas que tem pressão alta não seguem as recomendações. Em geral, largam o tratamento por causa de efeitos colaterais dos medicamentos, dificuldade em fazer dieta, falta de estímulo para atividade física, dificuldade em largar o fumo e obrigatoriedade de retornar ao consultório médico freqüentemente.

 

O hipertenso precisa de tratamento amplo, que reúna remédios e recomendações sobre hábitos de vida saudáveis. Com o atendimento multidisciplinar há maior aderência às recomendações, como uso de medicamentos, dieta, prática de atividade física, suspensão do tabagismo e redução do consumo de bebidas alcoólicas, o que leva à melhora da qualidade de vida.

A hipertensão está diretamente ligada a doenças cardiovasculares, como infarto, insuficiência cardíaca, hemorragias e embolias cerebrais, além de comprometer outros órgãos, em função das lesões que se instalam no sistema arterial. Essas doenças somadas são a principal causa de morte no Brasil. A abordagem do paciente hipertenso deixa, portanto, de ser competência de uma única especialidade e, até mesmo, de um único profissional da saúde.

 

É importante observar que, em alguns casos, a hipertensão é subestimada como causa de óbito. O melhor exemplo é considerar a hemorragia cerebral como causa de morte. Em geral, é a hipertensão que desencadeia a hemorragia.

 

Para evitar a pressão alta, deve-se adotar hábitos saudáveis, reduzir o consumo de sal, abandonar o tabagismo, manter o peso ideal, evitar bebidas alcoólicas, aprender a conviver com o estresse, praticar atividade física regular, tomar os medicamentos como recomendado.

 

Por: Dr. Abrão José Cury Jr, presidente da Regional da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, médico assistente da Universidade de São Paulo e cardiologista do Hospital do Coração.