A escolha do médico e a primeira consulta

 A má conduta de alguns profissionais tem levado as pessoas a se perguntarem como escolher um médico. Não há fórmula milagrosa, mas o dr. Abrão José Cury Jr, presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, professor assistente da Universidade Federal de São Paulo e Cardiologista do Hospital do Coração, dá orientações básicas:

1.     O primeiro médico deve ser o pediatra. A partir da 1a menstruação, as meninas devem consultar o ginecologista, e os meninos, por volta dos 15 anos, o clínico geral em caso de doença e, quando necessário, para avaliação médica visando a prática de exercício físico.

2.     Se não tiver pediatra, o primeiro médico deve ser um clínico geral, capacitado a pedir exames, a tratar muitas doenças e a encaminhar para o especialista. Às vezes, uma dor nas costas pode ser tratada por um ortopedista, mas pode ser reflexo de cólica de rim e, neste caso, deve ser tratada por outro especialista. Além disso, passar por vários médicos, até chegar ao especialista certo, provoca desgaste emocional e perda de tempo em iniciar o tratamento.

3.     A recomendação de amigos ou parentes deve ser considerada, assim como o vínculo do médico com serviços de saúde e sociedades médicas, o que mostra, neste caso, sua preocupação em manter-se atualizado profissionalmente.

4.     Se o médico, a clínica, ou hospital estão sendo procurados para cirurgia ou outro procedimento invasivo, é importante certificar-se de que há estrutura de atendimento a emergência, como suporte de oxigênio, e equipe de apoio, por exemplo, anestesista.

5.     Também é importante que a pessoa saiba quem procurar na ausência de seu médico, especialmente pacientes com doenças crônicas ou em tratamento, e para onde pode ser levado em caso de emergência.

6.     Infelizmente, muitas pessoas recorrem a emergência para resolver seus problemas de saúde. Isso é um erro. Em geral, no pronto socorro, trata-se os sintomas da doença e não a causa. É importante que o paciente procure a emergência só em casos de grande desconforto físico e que, mesmo nestas situações, procure um médico e dê continuidade ao tratamento no consultório ou no ambulatório.

 

Consulta médica: conte tudo ao médico, até hábitos ilícitos

 

A primeira consulta é importante para chegar rapidamente a um diagnóstico e iniciar o tratamento. Diante disso, o dr. Abrão José Cury Jr. destaca o que deve ser contado para o médico, mesmo que ele não pergunte:

1.     O paciente não deve se censurar, deve contar tudo o que está sentindo e fatos que alteraram sua vida, mesmo que não pareçam estar relacionados à doença, como perda de emprego, morte na família e outros.

2.     É importante lembrar que o médico não é um censor e nem um policial. Além disso, o que é dito no consultório é sigiloso. Portanto, o paciente não deve omitir hábitos, mesmo que ilícitos, como o uso de drogas.

3.     Está confirmado que muitas doenças são genéticas. Diante disso, o paciente deve relatar antecedentes familiares, não apenas relacionados com pai e mãe.

4.     Também é importante contar problemas de saúde anteriores e outras doenças, como pressão alta, hábitos intestinais, infarto, depressão e outros.

5.     Todo paciente tem o direito de saber quais exames deve fazer e porque.

6.     Também deve saber qual foi o diagnóstico e como será o tratamento.

7.     Deve conhecer ainda os riscos e as opções de tratamento, bem como as facilidades e limitações do serviço de saúde no qual está sendo tratado.

8.     Tem direito a uma segunda opinião. Até para sua tranqüilidade, o próprio médico deve indicar outro profissional para confirmar a opinião.

9.     Pessoas nervosas devem ser acompanhadas nas consultas, para evitar que esqueçam de contar algo e para lembrá-las das orientações médicas.

 

“O ideal é que o paciente consulte freqüentemente com o mesmo médico, transformando-o em “seu” médico, se possível, da família”, alerta o dr. Abrão. Desta forma, o profissional conhece melhor o paciente, pode atuar na prevenção, ou no adiamento do surgimento de doenças hereditárias, como diabetes e hipertensão, agiliza o atendimento e, o mais importante, fortalece a relação de confiança entre médico e paciente.